
O RAP entrou pelos meus ouvidos há pelo menos 40 anos. A primeira vez que ouvi os Public Enemy foi uma revelação. Queria mais, queria muito mais, vieram depois os NWA, Run DMC ou Tone Loc, para citar apenas alguns.
A linha americana, a conjunção das batidas e letras, era a música para os meus ouvidos. Lembro-me perfeitamente de mais tarde ouvir os primeiros rappers franceses. Não entrava, não conseguia gostar. A batida estava lá mas a língua.. não entrava.
Para mim era USA e mais nada.

O ponto de viragem foi já nos finais da década de noventa, com os primeiros rappers portugueses como os Black Company, que não sabiam nadar, o Boss AC e General D que tinham umas malhas porreiras, mas, principalmente a doninha que chegou em 1995 e alterou tudo. Altas batidas, altas letras, tudo fazia sentido. Os Da Weasel entravam nos meus ouvidos para não mais sair. São ainda os que mais fizeram mudaramo rap português.
Isto para dizer que quando os miúdos veem este cota a tripar num concerto de Dillaz, não percebem que este velhote vê no puto chapelas, o grande sucessor dos grandes rappers portugueses.
A poesia, a rima, do Dillaz é mel. Envolve-nos no dia a dia na vida de um jovem de bairro, que absorveu tudo o que pôde, bom ou mau, deste. A cada tema imiscuímos-nos num passado, presente e futuro do seu criador, da sua vivência, dos seus sonhos e dos seus receios, sem deixar de largar as farpas a outrém, que deliciosamente introduz a bom ritmo.
As batidas são milimétricamente acopladas ás letras, com mestria, criando uma simbiose perfeita.
Um concerto do Dillaz e dos Seventy Five, tambés estes merecedores de rasgados elogios, não é nada menos que o melhor que se faz por cá.
Nesta “corrida”, Dillaz é o camisola amarela, mas não vai sozinho, existem vários outros excelentes intérpretes que estão no pelotão da frente. O RAP nacional está bem e recomenda-se.

















